🔊 Listen · sign up for free
👆 Tap any word to see what it means
O sumiço da taça
No último sábado de junho, a pequena cidade de Lagoa Bonita fez a sua festa anual. E, como sempre, a parte mais importante da festa foi o concurso de bolos.
Bia, uma menina de doze anos, chegou cedo à praça com a avó, dona Marli. A avó participou do concurso com o seu famoso bolo de laranja. Ela ganhou a taça de prata nos últimos três anos.
Às dez horas, o organizador da festa, seu Afonso, cobriu uma mesa com um pano vermelho, perto das barracas, e colocou a taça em cima dela. Muita gente parou para tirar fotos.
— A entrega do prêmio vai ser ao meio-dia — anunciou seu Afonso. — Os jurados vão provar os bolos a partir das dez e meia.
Bia passeou pela festa. Comprou pipoca e parou na barraca de flores da dona Rosa. Lá, o ajudante dela, um rapaz chamado Lucas, colocou uns girassóis num balde cheio de água.
— Hoje de manhã, o nosso vaso grande caiu e quebrou — contou dona Rosa. — Que azar! O Lucas ainda precisa levar flores para a mesa dos jurados, e um balde lá não fica bonito.
Às onze horas, a banda começou a tocar no palco, do outro lado da praça, e quase todo mundo foi dançar. Perto das barracas, a mesa da taça ficou sozinha.
Às onze e meia, Bia ouviu um grito. Quem gritou foi seu Afonso: — A taça! A taça sumiu!
Todo mundo correu para a mesa. Em cima dela, só sobrou o pano vermelho. As pessoas começaram a falar ao mesmo tempo, e uma mulher olhou para a dona Marli.
— Ela ganhou três vezes — disse a mulher. — Agora ela quer a taça para sempre, com certeza! Dona Marli ficou vermelha de raiva. Outro homem desconfiou do seu Gilberto, que perdeu para a dona Marli no ano passado. Seu Gilberto também ficou muito bravo.
Bia não disse nada. Ela foi até a mesa e olhou tudo com atenção. Primeiro, viu umas gotas de água no pano vermelho. Depois, achou no chão uma pétala amarela de girassol.
— Água e uma pétala de girassol… — ela pensou. — Alguém com flores esteve aqui.
Então ela se lembrou do vaso quebrado da dona Rosa e do Lucas, com os girassóis no balde.
Bia atravessou a praça correndo e foi até a mesa dos jurados. Lá, no meio da mesa, ela viu a taça de prata, cheia de água e de girassóis!
Os três jurados nem perceberam. Eles provaram bolos sem parar e não olharam para as flores nem uma vez.
Bia chamou seu Afonso e o Lucas. O rapaz ficou vermelho de vergonha. — Desculpa! — ele disse. — Eu cheguei à cidade na semana passada e nunca vi esse concurso. Precisei de um vaso, vi essa taça numa mesa vazia e pensei: que vaso lindo! Aí coloquei a água do balde e as flores ali mesmo.
Todo mundo riu, até seu Afonso. Ele tirou os girassóis, secou a taça com o pano vermelho e pediu desculpas à dona Marli. A mulher que desconfiou dela também pediu desculpas.
Ao meio-dia, finalmente chegou a hora do prêmio. Naquele ano, o vencedor foi seu Gilberto, com um bolo de milho. Dona Marli foi a primeira a dar os parabéns para ele. — No ano que vem, essa taça volta para a minha casa! — ela disse, rindo.
Depois, seu Afonso chamou a Bia ao palco. — Hoje temos mais um prêmio — ele disse. — Para a melhor detetive de Lagoa Bonita! Ele deu para ela um girassol e uma fatia de cada bolo do concurso.
Naquela noite, Bia comeu bolo até não aguentar mais. E, na casa do seu Gilberto, a taça de prata ganhou um lugar na sala, cheia de girassóis: um presente do Lucas.





