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O clássico de domingo
Rafael e Tiago eram amigos desde os seis anos. Moravam na mesma rua, em Porto Alegre, e estudavam na mesma escola. Mas havia um problema: Rafael torcia pelo time azul da cidade, e Tiago, pelo time vermelho.
Todo ano, no dia do clássico, os dois assistiam ao jogo juntos, na casa da avó de Tiago. A avó, dona Teresa, fazia pastéis e não torcia para ninguém.
— Eu torço pela amizade — ela dizia.
Em março, Tiago conseguiu um emprego em São Paulo e foi morar lá. Rafael ficou feliz pelo amigo, mas também um pouco triste.
No domingo do clássico, Rafael não sabia o que fazer. Assistir ao jogo sozinho? Não tinha graça. Mesmo assim, ele foi para a casa de dona Teresa, como sempre.
— Entra, meu filho! Os pastéis estão quentes — disse ela.
O jogo começou. Aos vinte minutos, o time vermelho fez um gol. Rafael não gritou e não reclamou. Ele só olhou para a cadeira vazia ao seu lado.
— Sem o Tiago, perder não é a mesma coisa — disse ele.
No intervalo, a campainha tocou. Dona Teresa foi abrir a porta e voltou sorrindo. Atrás dela estava Tiago, com a camisa vermelha e uma mochila nas costas.
— Você não ia ver esse jogo sozinho, né? — disse Tiago. — Peguei o primeiro avião de manhã.
Rafael deu um abraço forte no amigo.
No segundo tempo, o time azul empatou. Os dois gritaram, discutiram e riram, como sempre. O jogo terminou um a um.
— Empate. Perfeito! — disse dona Teresa, e trouxe mais pastéis.





