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A foto do arco-íris
Tomás tem dez anos e mora em São Paulo. A avó dele, a dona Lúcia, tem setenta anos. Ela é alegre e adora viajar.
Um dia, a avó chega à casa do Tomás com uma foto antiga na mão. Na foto, tem uma moça de vinte anos na frente de uma cachoeira enorme. Em cima da água, tem um arco-íris.
— Quem é essa moça? — pergunta Tomás. — Sou eu! — diz a avó, e ri. — Essa foto é das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Eu quero voltar lá e tirar uma foto nova, no mesmo lugar. Você quer vir comigo?
Tomás quer, é claro. Os pais dele dizem que sim, e a avó compra duas passagens de avião. Tomás está muito feliz, porque é a primeira viagem de avião dele.
Em Foz do Iguaçu, faz muito calor. O hotel deles é pequeno e simpático, perto do parque. Mas, no primeiro dia, começa a chover. Chove até a noite.
— Que pena! — diz Tomás. — Sem sol, não tem arco-íris. — Calma — diz a avó. — Amanhã é outro dia.
No dia seguinte, o céu ainda está cinza, mas não está chovendo. Os dois pegam um ônibus até o Parque Nacional do Iguaçu.
Lá, a avó e o Tomás começam a andar. Já de longe, eles ouvem um barulho forte. É o barulho da água!
Então Tomás vê as cataratas pela primeira vez. Não é uma cachoeira só. São muitas, mais de duzentas, uma do lado da outra. A água cai com muita força, e uma nuvem branca sobe do rio.
— Que lindo, vó! — diz Tomás. A avó sorri, mas está procurando outra coisa. Ela olha para a foto antiga e depois para as cataratas. — Não é aqui — ela diz. — O lugar da foto é diferente.
Os dois andam pela trilha. A avó para em cada lugar e compara a vista com a foto. Tomás está com fome, então ele tira um sanduíche da mochila.
Nesse momento, aparece um animal marrom, com um nariz comprido e um rabo grande. É um quati, e ele não tem medo de gente.
O quati pula, pega o sanduíche da mão do Tomás e corre para o mato. — Ei! O meu sanduíche! — grita Tomás. Um guarda do parque ri. — Os quatis adoram comida de turista — ele diz. — Mas essa comida faz mal para eles. Por favor, guarde o lanche na mochila.
No fim da trilha, tem uma ponte em cima do rio. A ponte vai até perto da maior cachoeira, a Garganta do Diabo. Ali tem muita água e muito vento. Em poucos minutos, a avó e o Tomás estão bem molhados.
— É aqui? — pergunta Tomás. A avó olha para a foto de novo. — Não — ela diz, um pouco triste. — Na foto, a cachoeira está atrás de mim, mas longe. E tem um arco-íris.
Na volta para o hotel, a avó está quieta. Tomás quer ajudar. Ele olha para a foto antiga com atenção. Atrás da moça, tem uma árvore alta e uma placa de madeira. Na placa, tem um número: 7.
— Vó, olha! — diz Tomás. — Tem uma placa na foto! A avó põe os óculos. — Você tem razão! — ela diz, rindo. — Que olho bom você tem!
No hotel, Tomás mostra a foto para a recepcionista. O nome dela é Rosa, e ela mora em Foz do Iguaçu há muitos anos.
— Ah, eu conheço esse lugar! — diz Rosa. — É o lugar da placa sete, no começo da trilha. E a melhor hora é de manhã cedo, quando o sol está atrás de vocês.
No outro dia, a avó e o Tomás acordam às seis horas. O céu está azul, sem nenhuma nuvem. Eles tomam o café da manhã depressa e vão para o parque.
No começo da trilha, eles procuram a placa. Lá está ela, de madeira, com o número 7. No lugar da árvore alta, tem uma árvore nova e pequena. Mas a vista é igual à da foto.
O sol está atrás deles e ilumina a água. Então, devagar, aparece um arco-íris enorme em cima das cataratas. As cores são fortes: vermelho, amarelo, verde e azul.
A avó fica no mesmo lugar da foto antiga e sorri do mesmo jeito. Tomás pega o celular da avó e tira muitas fotos. — Mais uma, vó! Agora com a mão na cintura, como na foto! Depois, um turista tira uma foto dos dois juntos.
Mais tarde, eles sentam num banco. De repente, um quati aparece de novo. Tomás segura a mochila com força. — Hoje não, amigo! — ele diz. A avó ri até chorar.
À tarde, eles voltam para o hotel. — E então? E o arco-íris? — pergunta Rosa. A avó mostra as fotos no celular. — Olha só! Agora eu tenho uma foto melhor do que a antiga, porque nesta o meu neto está comigo.
Em São Paulo, a avó põe as duas fotos lado a lado, num quadro na sala. Numa, está a moça de vinte anos. Na outra, está a avó, agora com setenta anos, ao lado do neto. E, nas duas, tem um arco-íris em cima das cataratas.






